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12 de março de 2014

DEPOIS DOS 40

Lí este texto ontem e achei tao lindo que não resisti à tentação de compartilhar com as pessoas que lêem o blog. Acredito que todas as mulheres se identificarão, mesmo as que ainda não estão perto dos 40, pois a energia contidas nas palavras demonstra o poder e a garra do que as espera ao chegar lá.
Para as que já chegaram e mesmo as que já passaram, com certeza saberão com conhecimento de causa do que está sendo dito. O texto a seguir por sí só já seria lindo pelo conteúdo, mas ganhou um plus que o deixou mais delicioso: foi escrito por um homem.
Bom, aí está, de Fabricio Carpinejar, texto publicado orginalmente na Revista Isto É Gente - Março de 2014 p.50.

DEPOIS DOS 40

Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda, desembaraça.
O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle.
A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento.Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar de sua memória, de suas escolhas.Ela não precisa mais provar nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.A mulher de 40 anos, cansada das aparências, cometerá excessos perfeitos. É mais louca do que a loucura porque não se recrimina de véspera. É ainda mais sábia do que a sabedoria porque não guarda culpa para o dia seguinte.A beleza se torna também um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos.Encontrou a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa.O riso não é mais bobo, mas atento e misterioso, demonstrando a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades.Não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos.Há a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos.A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que percebeu que não trazia esperança.Seu charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade que sai da crise.A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da gentileza.

Depois dos 40 anos não há depois, é tudo agora.
19 de março de 2011

Dia de Festa

Cláudia Braga e Virgínia Barros
Encontros, risadas, poesia, beleza, amizade. Quer coisa melhor? Ainda mais em um mundo como o nosso, rodeado de problemas por todos os lados. Eis aqui a o meu oásis. E é ele que compartilho com vocês. Estive hoje na loja da Virgínia Barros para o lançamento da nova coleção outono/inverno. Que peças lindas. O conceito da coleção foram os poemas de Manoel de Barros. Eu arrepiei só de entrar e me deparar com alguns detalhes:

Tinha sapato no ninho... lindos demais!
Sapato passarinho, solto da gaiola
Tantos modelos diferentes, que deu pra ficar perdida entre qual deles escolher.
E o conceito "arrasador", que gerou criações fantásticas como a do sapato
baseado no verso "...o lagarto que lambia o lado azul do
silêncio.” Com certeza, eu vou comprar um. =).



E tudo isso regado a guloseimas, risadas, carinho e as melhores companhias do mundo. Laís, Malu e Virgínia, beijo enooooorme. Tarde incrivel que vocês proporcionaram a quem apareceu na loja da Galeria. Parabéns!
26 de novembro de 2010

Receber um poema assim, de graça

Eu sempre escrevo frases avulsas no meu msn e hoje estava um trecho de uma música do Zeca Baleiro que dizia "... o meu coração não quer dinheiro, quer poesia!". E não é que um dos meus contatos me mandou um Drummond de arrasar? =)
O seu santo nome
 
  Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade